
Defesa de Doutorado: Richard Lins Nogueira, 27/04/2026
Estrutura, agência e espaço-tempo: contribuições para uma crítica ontológica das interpretações do espaço social a partir do realismo crítico e da Teoria Crítica do Valor
Richard Lins Nogueira
Orientação: Carlos Antônio Brandão (PPGPUR)
A pergunta “como conhecer o espaço social?” pressupõe uma ontologia – uma noção sobre o ser daquilo que se busca conhecer. Partindo do realismo crítico de Roy Bhaskar e da ontologia do ser social de György Lukács, esta tese defende que é a natureza do objeto que determina suas possibilidades cognitivas para nós. Compreender o espaço social sob o capital exige, portanto, compreender o capital, o que, por sua vez, requer uma crítica ontológica de suas formas sociais. A investigação estrutura-se em três movimentos. O primeiro estabelece os fundamentos ontológicos do conhecimento do ser social, mostrando que a sociedade é um sistema aberto e estratificado cujas categorias são “formas de ser, determinações de existência”. O segundo reconstitui a especificidade histórica do capitalismo a partir da reinterpretação da teoria crítica de Marx por Moishe Postone, demonstrando que o núcleo dessa formação reside no duplo caráter do trabalho – trabalho concreto e trabalho abstrato – o qual engendra uma dominação social impessoal exercida por estruturas objetivadas. O terceiro movimento submete a teoria espacial de David Harvey a uma crítica ontológica, mostrando que sua abordagem, embora influente, permanece no âmbito do “marxismo tradicional” e constitui uma economia política espacial, não uma crítica da economia política do espaço. A contribuição central da tese é a categoria de espaço abstrato – categoria espacial necessária do trabalho abstrato e do valor. Tal como o tempo abstrato, trata-se de um espaço homogêneo, contínuo e quantificável onde todas as localidades são equivalentes perante o valor, em contradição com o espaço concreto dos lugares e das vivências. Essa contradição está no cerne de fenômenos socioespaciais contemporâneos e aponta para a necessidade de superação das relações sociais que produzem o espaço como mercadoria e suporte da acumulação.
Palavras-chave: Espaço abstrato; Crítica ontológica; Trabalho abstrato; Crítica do valor; David Harvey; Moishe Postone; Roy Bhaskar; György Lukács.
Imagem: PPGPUR

