Pesquisadores do Espaço & Poder integram o Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Energia e Desenvolvimento Sustentável (2026–2028)

Por Lucas Reis, doutorando do PPGPUR

O Grupo de Trabalho (GT) “Energia e Desenvolvimento Sustentável”, do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO), teve sua renovação aprovada para o período 2026-2028, dentro da área temática “Transições Justas e Soberanias Contestadas”. Entre os quase 90 pesquisadores e pesquisadoras de toda a América Latina que integram o grupo estão Deborah Werner, professora do IPPUR/UFRJ e Lucas Reis Santos, doutorando em Planejamento Urbano e Regional no IPPUR/UFRJ, ambos vinculados ao grupo de pesquisa Espaço & Poder. O GT é coordenado por Eliana Celeste Canafoglia, da Secretaria de Pesquisa e Publicação Científica da Faculdade de Ciências Políticas e Sociais da Universidade Nacional de Cuyo (Argentina), por Nora Estela Fernandez Mora, do Instituto de Estudos Equatorianos (Equador), e por Esteban Serrani, da Escola Interdisciplinar de Estudos Sociais Avançados da Universidade Nacional de San Martín (UNSAM, Argentina).

A CLACSO, por sua vez, é uma rede internacional não governamental que reúne centros de pesquisa, universidades e programas de pós-graduação em ciências sociais de toda a América Latina e Caribe, além de parcerias com instituições de outras regiões do Sul Global. Fundado em 1967 e sediado em Buenos Aires, o Conselho tem como missão fortalecer a produção de conhecimento crítico latino-americano, promover a cooperação regional entre pesquisadores e ampliar o acesso aberto a essa produção, por meio de publicações, bolsas, cursos de pós-graduação e, em especial, dos Grupos de Trabalho, que organizam a pesquisa coletiva do Conselho por eixos temáticos ao longo de ciclos plurianuais. 

Ativo desde 2019, o GT Energia e Desenvolvimento Sustentável consolidou, nos ciclos 2019-2022 e 2023-2025, uma análise crítica sobre energia, desenvolvimento e desigualdade na América Latina, abordando inicialmente a segurança do abastecimento, as empresas estatais, os impactos socioambientais, a integração regional e a dependência, para em seguida aprofundar a agenda da transição energética justa, com discussões sobre descarbonização, financiamento, capacidade industrial, pobreza energética e democratização do acesso à energia. A combinação das duas fases permite construir um corpo conceitual e empírico que demonstra que a transição energética só pode ser compreendida pela articulação simultânea de suas dimensões geopolítica, produtiva e social, premissa que estrutura a proposta do novo triênio.

A proposta do GT 2026-2028 baseia-se na convergência de três debates teóricos que, na literatura internacional, geralmente seguem caminhos separados: a geopolítica da transição energética, que analisa como a disputa por minerais críticos e tecnologias verdes reorganiza posições de poder e cria novas dependências no Sul Global; a economia política do desenvolvimento, que questiona se a transição permite industrialização verde e autonomia tecnológica ou se consolida uma reprimarização sob novas justificativas ambientais; e os estudos críticos de energia e desigualdade, que examinam como a transição afeta territórios e grupos sociais de forma diferenciada, em contextos marcados por pobreza energética e disparidades urbano-rurais. A interação entre esses três campos permite compreender dinâmicas que só emergem quando abordadas em conjunto, como as transformações tecnológicas se entrelaçam com desigualdades históricas, como as políticas climáticas moldam a especialização produtiva e como a geopolítica define a justiça energética, iluminando padrões e contradições que perspectivas disciplinares isoladas tendem a obscurecer (GT Energía y desarrollo sustentable, 2026).

O GT reúne ao todo 89 pesquisadores, provenientes de instituições de Argentina, Brasil, México, Chile, Equador, Cuba, Peru, Uruguai, Colômbia, Espanha, Costa Rica, Reino Unido e Holanda, refletindo tanto a vocação regional do Conselho quanto sua articulação com centros extrarregionais, caso do Instituto Transnacional, sediado em Amsterdã. Entre os membros com produção diretamente mobilizada na justificativa teórica do grupo estão Oscar Ugarteche e Alicia Puyana, ligados a instituições mexicanas, Ramón Pichs Madruga, do Centro de Pesquisa da Economia Mundial de Cuba, e Carina Guzowski, da Universidade Nacional del Sur (Argentina), nomes cuja presença simultânea como autores citados e integrantes do GT evidencia a continuidade entre a agenda de pesquisa dos ciclos anteriores e a composição atual do grupo. A representação brasileira reúne, além de Lucas Reis Santos e Deborah Werner, do IPPUR/UFRJ, pesquisadores vinculados à USP, à UFABC, à UNESP e à UNILA, entre outras instituições.

A bibliografia que sustenta a justificativa teórica do GT articula três frentes: de um lado, a literatura sobre geopolítica da transição energética e economia política do desenvolvimento, com autores como Van de Graaf e Sovacool, Kern e Markard, Ugarteche, de León e García, e Hickel; de outro, os estudos latino-americanos sobre desigualdade energética e justiça socioambiental, representados por Guzowski, Lazaro e Serrani, Mideros Mora e Fernández Mora, e Vanegas Díaz e Cardoso; e, por fim, um conjunto de referências institucionais e de conjuntura, relatórios da IEA e da OCDE, que ancoram empiricamente o diagnóstico sobre investimento, financiamento climático e matriz energética regional.

A participação de pesquisadores do IPPUR no GT reforça a inserção do instituto em redes internacionais de pesquisa sobre energia e território, e cria oportunidades de diálogo entre a produção do Espaço & Poder sobre transição energética no Brasil e as discussões regionais coordenadas pela CLACSO.

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